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A bem menos turística Barcelona de Domènech

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Difícil conversar sobre Barcelona sem que o nome de Antoni Gaudí seja mencionado em algum momento. Todo mundo é tão fascinado pelo mestre do modernismo catalão, cujas obras viraram símbolo da cidade, que quase nenhum turista dá atenção a prédios erguidos por contemporâneos do artista e arquiteto.

Mas se você, como eu, não gosta muito das estruturas quase teatrais de Gaudí, está na hora de conhecer Lluís Domènech i Montaner (1849-1923). Encontrar essas construções em três cidades da Catalunha fica fácil seguindo a Rota Modernista de Barcelona, criada em 2005. O guia com mapa pode ser comprado por 18 em quiosques espalhados pela cidade. Existe também a opção de visualizar o percurso.

Domènech constantemente é descrito como o mais moderno dos modernistas, por seu domínio no uso do aço. A Unesco inclui vários de seus prédios na lista de Patrimônios da Humanidade (assim como fez com os de Gaudí). Multifacetado e produtivo, ele foi arquiteto, professor e político proeminente.

A Barcelona da virada do século 20 era o lugar certo para arquitetos. O período industrial havia garantido recursos consideráveis e, entre a Exposição Mundial de 1888 e a construção de Eixample - bairro criado para desafogar o centro -, predominava na cidade um misto de orgulho e ascensão social. A emergente classe média estava disposta a deixar sua marca numa Barcelona que crescia rapidamente e o estilo modernista se encaixou nesta proposta à perfeição.

Uma das obras mais interessantes de Domènech é o Palau de la Musica Catalana, maravilhosa casa de concertos erguida em 1908, na junção entre as partes nova e velha da cidade. O arquiteto tinha o dom de tirar o melhor de escultores, ceramistas e marceneiros, criando interiores ímpares. Em quase todo canto do auditório há uma tonalidade nova, alguma textura ou relevo. Como o teto e várias paredes são de vidro, reflexos coloridos se espalham pelo ambiente.

Vila fantástica. Outro pilar da obra de Domènech é o Hospital de la Santa Creu i Sant ___, também na lista da Unesco, ao norte de Eixample. O arquiteto desenhou um complexo com 20 pavilhões, garantindo a ventilação e a luz natural. As áreas de serviço foram alocadas no subsolo, para que pacientes e visitantes se sentissem numa espécie de vila fantasticamente dotada de domos, espirais, esculturas e mosaicos.

Atualmente, os 12 pavilhões que Domènech construiu (o filho dele completou os outros 8) estão sendo restaurados. Alguns vão abrigar um museu modernista e outros serão cedidos a organizações humanitárias, como a própria Unesco. Até a reinauguração, prevista para 2016, ocorrerão tours diariamente.

Com o guia da Rota Modernista nas mãos, parta para visitar outros prédios de Domènech em Barcelona, muitos deles entre Passeig de Gracia e Carrer Girona. Você pode ver a Casa Fuster, hoje um cinco-estrelas, o Cafe Vienes, o Hotel Espanya...

Rota na Catalunha

Barcelona

Palau de la Musica Catalana tour custa 12; Hospital de la Santa Creu i Sant ___;

Hotel Casa Fuster; Hotel Espanya

Reus

Tours para conhecer o Pere Mata Institute e a Casa Navas podem ser agendados em dias específicos com o escritório de turismo de Reus

Canet de Mar

Casa Museu Lluís Domènech i Montaner (entrada custa 2); Restaurante Casa Roura; Castell Santa Florentina (é privado, mas há chance de reservar tours aos sábados)

Fonte: Estadão