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Anular o voto: uma opção válida?

* Resolvi postar, pois muita gente começa votar nesse ano ou ano que vem!

O desanimo é tão grande e a esperança tão pouca que, a menos de duas semanas das eleições, muitos falam em anular o voto. Isto seria, dizem, uma forma de protesto contra uma situação em que não sentem que nenhum candidato represente verdadeiramente sua opção.

Preferem o voto nulo ao voto em branco porque aquele não entra na contagem e se acontecer em grande quantidade, mostrará claramente o nível de insatisfação em que se encontra o povo brasileiro. Enquanto o voto em branco somar-se-ia à contagem do candidato mais votado.

Compreendo perfeitamente o sentimento de tantos. Aliás, partilho dele. Sinto também em mim a tentação do voto em branco ou do voto nulo como grito que sai da garganta e é fabricado pela mão que aperta o botão do painel eletrônico dizendo que não. Que não concordo que não admito que não aceito isto que está aí servido como prato requentado à nossa escolha cidadã e à nossa combalida democracia. Que não concebo, depois de tanta esperança e tanta luta, terem atirado nosso país no beco sem saída em que está metido.

A morna e desalentadora campanha eleitoral, que já se aproxima de seus últimos dias, só faz confirmar esse desejo e essa tentação: anular o voto com a mesma raiva como quem amassa deliberadamente um cheque em branco e o joga na lata do lixo; com a mesma deliberação de quem rasga por vontade própria um passaporte e o queima a fim de que não caia mais nem sequer na tentação de usá-lo.

Pois após debater-me longos instantes com essa tentação, senti-a como aquilo que ela realmente era: tentação. Tentação é definida pelo dicionário Aurélio como: disposição de ânimo para a prática de coisas diferentes ou censuráveis. Ora, por que seria censurável exercer o direito que temos de votar nulo? Por que não poderíamos dar-nos esse gostinho de liberdade ao colocar em prática nosso sagrado dever democrático de, no momento de escolher os governantes de nosso país, decidir não escolher nenhum e anular o instrumento de escolha mesmo, buscando atingir o mal em sua mais profunda raiz?

O que, ou quem, nos diz finalmente que isso não é a melhor opção, ou mais ainda, não é uma opção sequer ética ou politicamente cabível? Por que a consciência nossa que Deus nos deu teima em nos deixar desconfortáveis e inquietos diante da possibilidade de anularmos o voto?

Exatamente porque isto seria jogar fora o instrumento maior do nosso exercício político democrático, aquele que a ditadura militar nos roubou por longos anos e o qual custamos tanto a conseguir de volta. Seria desperdiçar uma oportunidade de atuarmos como cidadãos livres e soberanos, que expressam sua opinião e marcam, senão vitórias e mudanças imediatas, ao menos tendências.

Se participação é algo que o ser humano pede e deseja em todas as áreas e dimensões da vida, participar implica, numa eleição, em votar. Não anular, nem inutilizar, nem votar em branco. Votar mesmo que não seja no candidato ideal. Votar naquele que considera melhor para o país naquele momento, ainda que seja uma transição para o que seria o mais desejável. Votar ainda que seja para dizer: “Não acredito em ficar de fora. Quero estar dentro. Quero participar e participo!”

Se o ótimo é inimigo do bom, temos amargas e recentes experiências de apostar todas as fichas em um candidato que considerávamos que ia dar a necessária e almejada “virada” no país e sermos cruelmente decepcionados. O ótimo que esperávamos revelou-se desalentador, decepcionante, frustrante. A tentação de desanimar e “chutar o balde” anulando o voto é grande.

No entanto, se conseguirmos sair um pouco de nossos frustrados sentimentos e pensarmos no futuro deste pobre país, não faremos isso no dia 1º de outubro. Marcaremos presença, votaremos válido, criaremos tendência. E senão a curto, certamente a médio e longo prazo, quem sabe não conseguiremos mudar alguma coisa para melhor?

Certamente não mudaremos nada se votarmos nulo. Não faremos com que nada se transforme se semearmos o caos em lugar de persistir fielmente na atitude de cidadãos fiéis que crêem e exercem diuturnamente a democracia e não abrem mão de expressar sua vontade nas urnas.

Fonte: http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/not ... d_canal=44
 
de quando isso??