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No maior do mundo, dá para passar dias sem ver o mar

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Com jeitão e sotaque de agente secreto, o garçom búlgaro só entrega o menu depois de anunciar: "I have connections with the brazilian government." A piadinha sobre a origem da família de Dilma Rousseff foi só o aperitivo dos três dias no maior navio do mundo, o Allure of The Seas, com uma tripulação de 74 países diferentes (64 línguas).

Nesta babel flutuante, com 360 metros de comprimento (algo como três gramados do Maracanã enfileirados), é possível encontrar, além do garçom politizado, um maître de churrascaria português, uma arrumadeira de Trinidad e Tobago, um barman indiano, um instrutor de esportes radicais mexicano e um capitão... Argentino (Hernan Zinbasta é gente fina, mas evite falar de futebol com ele).

Nesse período de luxo na costa de Miami, o oceano foi coadjuvante: você pode passar dias no Allure sem ver o mar. É fácil se perder em seus 16 deques (na verdade, são 15. Por superstição, o deck 13 não existe) e vivenciar a viagem como se estivesse circulando num imenso shopping.

Não, o navio não balança. Esqueça o Dramin. Se você sentir enjoo, procure um médico: pode ser gravidez. As cabines são confortáveis e amplas, a maioria com sacada. Na Royal Loft, a mais cara (US$ 15 mil), um piano repousa no quarto. Mesmo na opção mais barata (US$ 900), você não vai se sentir encaixotado.

O artista brasileiro mais adorado em Miami, Romero Britto, tem uma galeria no Allure. Seu traço e suas cores também estão presentes na decoração das piscinas. O navio ainda oferece um teatro com 1.400 lugares - Sampa tem poucas casas deste porte. Ao menos nos próximos meses, a peça em cartaz será uma versão pocket de Chicago.

Shows de patinação, apresentações aquáticas e interação de personagens como Shrek prendem a atenção da garotada enquanto os pais relaxam no spa, na casa de jazz, no clube de comédia ou perdem dinheiro no cassino. Quem tem menos de 40 anos pode preferir uma boate no estilo inferninho, perfeita se não fosse o set-list careta do DJ.

O Allure oferece 26 opções gastronômicas, que vão de cachorro quente ao sofisticado 150 Central Park. Nos restaurantes diferenciados, é preciso fazer reserva (e pagar por ela). Ainda bem que o bufê não faz feio. Champanhe bar, pub irlandês e coquetéis aqui e ali garantem um bom tour etílico. Mas atenção: as bebidas não estão incluídas, o que pode afundar o seu orçamento.

Dicas para escolher bem a sua cabine

Fazer um cruzeiro não é sinônimo de enjoo. Embarcações mais novas contam com estabilizadores que reduzem o balanço, além de radares e programas de previsão de clima, que permitem evitar áreas instáveis no mar.

É normal, porém, sentir a diferença em relação a estar em terra firme, principalmente no primeiro dia a bordo. Após essa fase de adaptação, você vai acabar notando que algumas áreas do navio estão mais sujeitas a balançar que outras - e poderá escolher onde quer ficar.

Quem já fez um cruzeiro sabe como isso funciona e usa a informação na hora de comprar a cabine. A sensação de balanço é menor, por exemplo, nas acomodações que ficam no centro do navio e em deques mais altos. Tanto que esses modelos costumam ser bem disputados.

Os quartos externos com varandas são os melhores e, claro, os mais caros. A segunda opção são as cabines externas sem varanda. Por fim, a opção mais barata: as internas, sem janela. As com beliche são boas para quem viaja com família e deseja compartilhar o espaço e/ou economizar na tarifa. Quartos localizados na proa e na popa ficam mais expostos ao impacto com a água - e costumam balançar mais.

Fonte: Estadão