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Senador se solidariza com Itália no caso Battisti

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), divulgou nesta quarta-feira nota de solidariedade à nação italiana, que pede a extradição do ex-ativista político Cesare Battisti. Em 31 de dezembro, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não extraditar o italiano. Desde então, as autoridades italianas estão protestando e pediram ao Supremo Tribunal Federal que mantenha Battisti preso.

Para Azeredo, a decisão é "um dos mais graves equívocos" cometidos por Lula na condução da política externa brasileira. "O asilo a Battisti, terrorista condenado à prisão perpétua por 36 crimes, incluindo quatro assassinatos, coloca em risco as relações excepcionais que o Brasil mantém com a Itália e a União Europeia. Ao mesmo tempo, atrai contra nosso País o desprezo das vítimas sobreviventes, que encabeçam protestos diante da embaixada brasileira em Roma", disse, em comunicado.

O senador também lembra no texto que o julgamento de Battisti seguiu todos os requisitos necessários para ser considerado legítimo, como o direito à ampla defesa e o acompanhamento de um advogado por todo o processo, até a Corte de Cassação Penal da Itália. "Trata-se, portanto, de desrespeito à Justiça de um país democrático, que possui instituições consolidadas, e à própria Justiça brasileira, que considerou o réu criminoso comum", disse o presidente da comissão.

A nota também aponta que o ex-presidente Lula respeitou decisões controversas de países considerados totalitários, como Irã e Cuba, por considerá-las legais. "Seria muito mais lógico que defendesse as ações de um Estado de direito, com plenas garantias democráticas, como a Itália. A liberdade de Cesare Battisti, sem dúvida, mancha sua biografia".

O ex-ativista italiano foi condenado à prisão perpétua em seu país pela morte de quatro civis quando atuava no grupo de ultraesquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ele nega os crimes e foi julgado à revelia. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que ele deveria responder por crime comum, mas a decisão de extraditá-lo deveria ficar a cargo do presidente da República.


fonte: terra