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Van Halen e os M&M marrom.

No final da década de 70, a banda americana Van Halen entraria para história como uma das bandas de rock mais inovadoras e influentes de todos os tempos. Com um estilo único e quilos de equipamentos e sons, a banda redefiniu a forma de se fazer entretenimento e suas aparições públicas se tornaram antológicas.

Em certa ocasião, vazou para a imprensa que o vocalista David Lee Roth, exigia que os contratos da banda Van Halen com os promotores, contivessem uma série de cláusulas especificando itens que eram, à primeira vista, no mínimo bizarros. Entre elas, a que se tornou uma lenda foi a de que, em todas as apresentações, deveria haver uma tigela de chocolates M&M nos camarins, com todas as cores exceto o confeito da cor marrom, sob pena de cancelamento do show e pagamento de multas no valor igual aos contratados. Sabe-se que, pelo menos uma vez, a exigência não foi atendida e Roth cumpriu a cláusula, cancelando o show.

Entretanto, longe de ser mais uma excentricidade das grandes celebridades, essas cláusulas contratuais, conforme descobriu-se mais tarde, eram truques geniais para controle e gestão de projetos. Em sua autobiografia, Crazy from the Heat, Roth descreveu o quão complexo era organizar uma apresentação do Van Halen naquela época. Segundo ele, o Van Halen foi a primeira banda a levar suas superproduções às cidades pequenas. A logística exigia, entre outras coisas, o transporte de toneladas de equipamentos em nove caminhões de 18 rodas, montagem de infraestrutura em vigas que não sustentavam o peso da aparelhagem e o chão afundava, estradas e ruas pequenas onde não havia espaço suficiente para a passagem e o equipamento, simplesmente, “entalava”.

A quantidade de especificações técnicas e procedimentos tornavam esses contratos muito semelhantes às páginas amarelas de uma companhia telefônica. A eminência de erros, que colocariam vidas humanas em perigo, era enorme.

Roth, então, teve a ideia de colocar cláusulas contratuais inusitadas, mas de simples conferência, em pontos estratégicos do contrato, ou seja, próximo daquelas que fossem de maior risco e que, portanto, exigiriam maior atenção. A partir daí, e com checagens simples, ele conseguiria ter uma ideia da precisão que os técnicos tiveram na montagem da infraestrutura do show.

Quando Roth entrava no seu camarim e encontrava um chocolate marrom na tigela, a conclusão era imediata: “ou o líder do projeto não tinha sido detalhista o suficiente para conferir a cor dos confeitos, ou, mais grave ainda, não tinha lido todas as especificações do contrato”. Além disso, observava se alguém o procuraria para perguntar até que ponto da tigela tinha que se atingir com os M&Ms (uma vez que a especificação era, propositalmente, imprecisa). O raciocínio de Roth era muito simples: se um líder não foi detalhista o suficiente para lidar com tarefas simples, então, a probabilidade de negligências com atividades maiores e de maior risco poderiam ser enormes.

A solução de Roth para o problema da checagem de pontos chaves, em uma especificação complexa, é genial. Meu conceito para ‘genial’ é uma coisa simples, eficaz e com custo irrisório. Podemos reduzir, substancialmente, o volume de falhas evitáveis através de checagens, para todo tipo de dificuldades, utilizando checklists criativos como este.

Infelizmente, a imprensa sensacionalista não foi inteligente o suficiente para perceber a grande sacada do conceito e deu muito mais ênfase à parte fácil e visível da notícia do que da ideia que a originou. Muito pior ainda, são algumas celebridades que vieram depois, que só conseguem executar e demonstrar o lado mais bizarro de suas excentricidades, sem nada de inteligente para oferecer em troca. Fazer o quê, né!?
 
Bom tópico!
 
k9999 Escreveu:Bom tópico!

NEM LEU ! KKKKKKKKKKKKKKK ;x
 
Coragem Escreveu:
k9999 Escreveu:Bom tópico!

NEM LEU ! KKKKKKKKKKKKKKK ;x
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK